terça-feira, 23 de outubro de 2012

Quando o último turista


Miguel Marvilla

Quando o último turista for embora
e o corpo da cidade descansar,
vou poder achar uns trapos nas varandas
de lembranças que me esqueci de invocar.

Não agora, que a cidade é mais não minha,
vou poder me ver de novo, uma criança
recomposta pelo mar que vem da brisa
que, por pouco, por um quase, não me alcança.

(Não entendo como foi que houve um tempo
de delícias nessa terra – e não entendo
como foi que desse tempo eu me perdi.)           

Sou um homem sem passado, muito embora,
procurando, ainda eu me reste por aqui,
quando o último turista der o fora.

Marataízes (ES), 02.03.1992

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